sábado, 4 de setembro de 2010

Qual será o motivo para uma mãe entregar seu filho?

Qual será o motivo que leva uma mãe a entregar seu filho à adoção? Talvez essa pergunta nunca tenha sido feita por muitas pessoas de nossa sociedade, mas que certamente mostrar-lhes-iam muitas respostas e poderia acabar com os diversos preconceitos referidos a estas mães.
Como situar em relação a critica feroz aquelas jovens solteiras pressionadas pela família, abandonadas pelo parceiro, sem emprego e às vezes sem lugar para morar? E como situar também aquela mulher que já cria sozinha algumas crianças e que não recebe auxilio de qualquer espécie, seja moral, afetivo ou econômico?
O que dizer daquela que foi abandonada em função da gravidez e que não tem qualquer assistência que ajude a superar seus próprios dramas e traumas para que possa estabelecer um contato, uma vinculação positiva com aquela criança que ela considerava responsável pela sua desgraça?
Podemos declarar com tranquilidade sobre a mulher que nem sequer pôde ver o bebê que entregou; que tem pesadelos recorrentes com seu bebê sem rosto; que se desespera por não ter como elaborar seu luto; que ela desprezou, repudiou seu filho?


"Ao pensarmos no tema adoção é quase automático dirigirmos o enfoque para quem recebe a criança, mas como será o caminho de quem doa? Aquele no qual uma vida começa a ser gerada, mantém laços de sangue e, apesar de toda carga física e emocional envolvida, surge simultâneo à promessa de separação? Julgamentos apressados tendem a condenar a mãe disposta a entregar seu bebê antes mesmo de vê-lo, sem lhe dar a chance de acolhimento. Reconheço que, no grupo, podem haver casos de desapego, frieza e até repulsa. Porém, minha tendência é de enaltecer as mulheres que, tendo testemunhado em seu ventre a centelha da vida, do amor, abdicam dessa companhia na promessa de um futuro melhor ao filho. Doam córneas em vida, assumindo uma cegueira voluntária. Doam o coração que batia em sintonia com o seu durante meses. Doam sonhos." (Rubem Penz, 2010, p.23)


Pesquisas neste sentido ainda esperam por concretização e tem o importante papel de auxiliar na elaboração de programas de prevenção por meio da ação profilática, no desenrolar do difícil processo em que se encontre inserida a mãe que entrega sem filho em adoção. Mais um preconceito que deve ser banido em um país que se diz globalizado e diversificado!

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